Segunda-feira, Julho 06, 2009

Boa ideia para o frio da água de Curitiba...

Sábado, Julho 04, 2009

Glasgow - Scotland


Glasgow - Scotland, originally uploaded by Keiloca.

Não sei o termo correto, mas isso para mim é intervenções sobre monumentos. Então, ali em Glasgow, Escócia, em frente ao Museu de Arte Moderna da cidade, colocaram um sinal de trânsito como chapéu deste ilustre senhor. Piada ou não, já alguns pracinhas brasileiros com sutiã e até Carlos D. de Andrade bebendo cerveja em seu banquinho em Copacabana.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

6° Livro: Para sempre Alice


Alice é uma mulher realizada, como profissional: professora e pesquisadora de uma renomada universidade norte-americana. Como esposa, um marido um amável, que também a acompanha como homem e também como um intelectual tão atarefado com suas pesquisas, como ela mesmo. Filhos crescidos e já encaminhados, apesar de não aprovar os caminhos que a filha caçula escolhera. O livro de Lisa Genova é um encadeamento dos sintomas do esquecimento que assolam Alice, por isso os capítulos são datas, setembro de 2003 seria o começo de um branco que irá invadir a vida dessa mulher. Para sempre Alice é o história de uma mulher que vê os sintomas de Alzheimer invadirem a sua vida, que antes era baseada em fatos e referências. Em um passo que tudo o que contará para ela será o presente e as demonstrações de carinho, que para ela poderão significar em um flash tudo o que significa para a sua história.

O livro já começa com uma referência sobre os relógios. Geralmente em casa temos tantos relógios e, muitas vezes, eles não estão coordenados entre si. O despertador do quarto pode estar certo, mas o relógio do microondas pode estar alguns minutos adiantado. E ainda, temos o nosso no pulso, celular e o biológico. Óbvio que nosso trabalho, reuniões, encontros, são guiados por essa demarcação de tempo universal. Porém, e o nosso corpo? Já com esse pensamento, dentro da rotina de Alice, me veio à consideração de que é isso a sua preparação para o diagnóstico do Alzheimer, como mensagem subliminar mesmo.

Alice de tempo em tempo terá a sua própria linha temporal, claro que devastadora para a mente e até para os que a circundam. Porém, uma mudança que, com certeza, não apagará quem realmente Alice é.

++ No site Para Sempre Alice, da Nova Fronteira, nos dá até a possibilidade de baixar um Wallpaper bacana, com a borboleta da capa do livro.

Quarta-feira, Junho 10, 2009

Princesas do Tricô

A cada dia descubro que as paragens ao sul do Brasil são realmente frias, mais do que minha Minas Gerais. Ali, é coisa para a gente se divertir com o frio, beber vinho e comer um fondue. Aqui não, é realmente frio. Mais do que a vida lá em Dublin, porque não tem aquecedor dentro das casas. Mas o que me chamou à atenção estes dias foram os rostos de felicidade de umas pessoas, que vestiam mantas de tricô.

Recanto Espiríta Maria Dolores

E então, descobri que isso é uma iniciativa de algumas princesas do tricô, que considero mais como rainhas pelo o que elas estão fazendo. O projeto Princesas do Tricô é baseado no projeto de meus conterrâneos em BH, o Tricô Solidário. Silvia Sgarbi, morada de Ponta Grossa, resolveu trazer isso para o sul - onde, reitero, é realmente frio - porém sendo coisa digníssima cresceu e precisa crescer ainda mais. Porque os simples quadrados de tricô se unem e viraram mantas, como não só a iniciativa de Silvia que hoje conta com a ajuda de várias amigas, esperar conquistar mais amizades. Em menos de um ano foram confeccionadas 150 mantas, além da arrecadação de enxovais de criança, cobertores e muito mais.

Não há destino próprio, as confecções em tricôs vão para instituições carentes como a Colméia Espiríta Abegail, Casa do Idoso Paulo de Tarso e a Casa Odilon Mendes. Assim, o projeto aceita qualquer contribuição pra esquentar muita gente que precisa, principalmente agora. Aceita-se desde novelos até quadradinhos. Trabalhar com linhas é maravilhoso porque tudo se provem da união, que pode durar para sempre.

Assim, vocês que tricotam por diversão, curiosidade, façam de seu hobby uma ajuda. Ou vocês que tricotam por trabalho mesmo, provavelmente será um trabalho ainda melhor deixar pessoas que precisam quentinhas.

Entrem em contato com a Silvia Sgarbi através de seu blog Princesas do Tricô e saibam como contribuir.

Quinta-feira, Junho 04, 2009

5° Livro: Longe Daqui


Ao começar a ler Longe Daqui de Amy Bloom lembrei-me do fim do filme "Um Violinista no Telhado" (1971), ambos sobre a história da perseguição judaica pelo governo russo. Nos mostra que o preconceito e perseguição por essa religião extravasou os limites do holocausto. O filme é interessante pelo conhecimento do valor da tradição judaíca no leste europeu. Mas, o fim do filme é o começo da história de Lillian Leyb, que escapa para os Estados Unidos, após ver sua família morta em um pogrom na Rússia. As obras relatam esses momentos de destruição contra as comunidades judias, que se iniciou no século XIX e ainda caminhou para o século XX. E então, sobre o movimento de emigração para o Novo Mundo. 

Longe Daqui é o começo duro da vida de Lillian Leyb em Nova York, que possui um turno para dormir em sua cama, ao lado de uma mulher que não é sua amiga, das dificuldades da língua e do preservar de sua religião e presença dos amantes que são os seus chefes. De uma vida comum, seguindo os seus moldes tradicionais, ela se vê em uma condição bem adversa, mas sob uma certa nuvem de esperança frente aos pesadelos sobre os assassinatos que presenciou.

Mas, o livro de Amy Bloom divide-se em duas partes, todas de mudanças, sejam pelos lugares, sejam pelos sentimentos e esperanças. Pois Lillian retorna à sua terra natal, quando descobre que a filha não foi assassinada. Assim, de uma vida que poderia já estar estável em Nova York, a terra das oportunidades para tantos migrantes, ela parte em uma jornada de retorno para a sua menina Sophie. Além das terras americanas e ao longo da vastidão branca do Alasca e da Sibéria. 

Em que essas duas terras rodeadas por gelo poderiam ser diferentes para Lillian?

***

+ A Editora Nova Fronteira disponibilizou um site bem estruturado sobre o livro, não só para a sua divulgação, mas também com a possibilidade de leitura do primeiro capítulo. 

E ainda, deixo aqui o meu agradecimento à Natasha Cassar pela delicadeza em me sugerir este livro. 

Terça-feira, Junho 02, 2009

Budapeste (2009)

Morei por quase um ano com dois húngaros, em nossa casa havia uma televisão com canais via-satélite, eram mais de 400 na linguagem natal deles. Jantei muitas vezes escutando essa língua. Não me apaixonei e muito menos consegui aprender muita coisa, já que meus colegas não eram muito simpáticos. E José Costa (Leonardo Medeiros) também não me convenceu como um homem digno de reconhecimento, porque o personagem se mostrou mais digno das sombras de sua profissão, um ghost writer. 

Não sei quais são os méritos literários de Chico Buarque no livro homônimo e não levo minha problemática à roteirista Rita Buzzar, mas à direção de Walter Carvalho, que me decepcionou. Sempre admirei Walter Carvalho pela sua fotografia, embora ele não seja responsável pelas imagens desse filme. José Costa, primeiramente, se apaixona por Budapeste por ser amarela e vemos que a cidade guarda a cor, ao invés do cinza que alaga tantas outras cidades. Porém, o cenário é fraco. Mesmo sendo uma co-produção entre Brasil e Hungria, acredito que poderia haver muitas outras imagens ao invés da fixação pela ponte. O resto das cenas são tão urbanas, da rua, cinzas e chuvosas. Há beleza na cena em que uma estátua derrubada passa apontando a imensidão e a força do país dentro de um barco, embora demorada demais. Mas, inclusive, faltou intensidade até nas imagens do Rio de Janeiro. Pois, o Rio tem muito de amarelo, mas tem o azul, o verde, o rosa. 

Podia ser a intenção do filme, mostrar a agonia do personagem, por ter uma mulher que não o reconhecia por seus dotes com as palavras e então encontrar a outra que lhe daria um novo mundo.   Afinal o húngaro “é a única língua que o diabo respeita”. Mas, a força que essas mulheres deveriam mostrar também foi desrespeitada pelo comportamento de José Costa. Uma que se tornou traidora, mas que também fora traída. Outra que lhe deu a língua, mas cercada pelo descontentamento. E José Costa estava descontente pela perspectiva de não ser um autor.
 
Ele amava a narrativa, mas não conseguia fazer uma narrativa para si mesmo. E então, quando finalmente aprende o húngaro e então começa a produzir algo realmente seu, escreve um livro de poesias para alguém. E das idas e vindas entre Budapeste e Rio de Janeiro eis que de repente ele se vê famoso acidentalmente pela história de sua vida. Nesse ponto o roteiro poderia ser um pouco melhor distribuído, pois diz respeito à obra dentro da obra, intertextualidade em forma simultânea. Uma boa referência, mas que nos pega de surpresa.  

Sexta-feira, Maio 22, 2009

Café (re)quintado


Penso em um fogão a lenha, poderia pensar também em uma garrafa térmica, que é o que preciso em meu novo cafofo. Mas, sempre me (a)lembro do bule o dia todo com café quente em cima dos fogões a lenha das casas simples de Minas, casas da roça mesmo, pintadas com terra vermelha. É só chegar uma visita, já tem o café quentinho que se conserva pela brasa. Embora para as visitas mais chiques passa-se o café na hora, porque é de conhecimento popular que fresquinho é melhor. Na correria do dia-a-dia, fica ali em cima do fogão, que é parte da arquitetura da casa. Agora, faço o café, bebo minha xícara e quando quero repetir já está frio e então re-quento. Mas café requentado é um pecado. Melhor é o café até da garrafa térmica, por isso preciso arrumar uma. 

Meu irmão escreveu um texto excelente no seu blog, Memórias de um Origami (eu adoro esse nome também), sobre as visitas que não aceitam um cafezinho mais. Em minha infância, quando ia de casa em casa com meu avó tinha que tomar um cafezinho em cada uma. Muita gente condena dar café para crianças, principalmente nos Estados Unidos e no Canadá. Mas, em Minas Gerais não tinha dessas coisas. Só não (a)lembro como ficava os meus humores, se isso era bateria ou algo pior, mas acho que não, sempre fui meio calma, tranqüila nesse jeito mineiro mesmo.

Depois, no Rio aprendi a tomar café e comer torta de noz pecã , às vezes, pedia o expresso duplo. Talvez o problema do agito carioca seja a torta de noz pecã, embora a marrência. E na faculdade todos os motivos eram motivos para se tomar um café na cantina, apesar de que o café era desses requentados e que eu aprendi a pedir “pingado” para disfarçar. O que serviam para os funcionários, onde eu fui estagiária, tinha todas as características do da cantina, mas vinha quase como um leite queimado, de tanto açúcar. Esse último, com quase certeza, me causava mais distúrbios do que o expresso duplo. Se fosse nos Estados Unidos eu poderia processá-los e ganhar. 

Quem me visitou esses dias foi a Lane, que tem o blog Café no Telhado, que diz que nunca aproveitou um cafezinho nesse espaço, porém concordo que seja uma boa idéia. Embora em seu blog mesmo já seja uma leitura ao lado do café. E concordo, curitibanos não são metidos e se puxar papo eles conversam sim.  

A pintura é "O Lavrador de Café" do Portinari.

4° Livro: Que loucura!

Tenho certeza que pode-se definir o humor da década de 80. De um modo superficial sobre o modo com que Woody Allen se expressava durante esse período. Como críticas sobre as relações inter e extra conjugais. E como escritor ele segue a sua mesma linha como diretor no livro Que Loucura! (Side Effects, 1980). Nesse livro eu pude reconhecer traços de muitas das suas obras cinematográficas, como na crônica “Na pele de Socrates”, em que um condenado durante um sonho conversa com Ágaton e Símias sobre o verdadeiro significado da morte com parábolas, nota-se que o nome do personagem é Woody.

Como são crônicas, e de Woody Allen, eu me atrevo a dizer que a tradução do título acompanha o ritmo da obra, apesar de que efeito colateral também encaixa ao conteúdo. Porque tem muitas histórias loucas e completamente dentro do nonsense, embora a história permaneça com o seu sentido. A “Ameaça do OVNI” em que ele fez uma análise sobre a existência dos extraterrestres, usando citações de figuras como Goethe e também comentários que levam para a comédia do absurdo, “O Dr. Brackish Menzies, que trabalha no Observatório de Monte Wilson, ou está em observação no Hospício de Monte Wilson (sua letra não é muito legível), afirma que, se tais seres viajassem à velocidade da luz, levariam milhões de anos para chegar à Terra, (...), e que, a julgar pela má qualidade das peças atualmente em cartaz , tal expedição dificilmente valeria a pena.”

Porém, do Woody da década de 80 eu gosto se sua linguagem fantástica, de como ele faz com que uma obra entre dentro da outra. Do mesmo modo que em “A Rosa Púrpura do Cairo” (Purple Rose of Cairo, 1985), em que há uma história de amor entre uma cinéfila e o seu ator/personagem favorito, nesse livro à mesma maneira um professor tem um caso com Madame Bovary. Através de uma caixa mágica ele consegue entrar em qualquer livro e faz isso em busca de uma mulher mais interessante do que a sua esposa em “O caso Kugelmass”, ganhador do prêmio O. Henry de 1978).